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Quebrar um recorde é uma coisa única na vida de qualquer pessoa, você pode estar aí pensando, do outro lado da tela, mas não na vida do velocista Petrúcio Ferreira.

Campeão nos cem metros, segundo o cronômetro, Petrúcio é um dos melhores atletas do Brasil e do mundo, porque, convenhamos: uma coisa é bater um recorde, outra coisa é bater um recorde estabelecido por você mesmo. Várias vezes.

Nascido em São José do Brejo do Cruz, na Paraíba, as estradas de terra foram sua primeira pista de corrida e, desde então, nada nunca parou Petrúcio.

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Quando foi que você começou a correr, e de onde veio essa motivação e vocação?

PETRÚCIO: Eu comecei a correr em 2013. A motivação veio do sonho de vestir a camisa da seleção brasileira e a vocação veio do desejo de explorar o meu entorno, correndo pelas veredas, estradas e jogando muita bola.

"Não sei ficar sem correr. Eu gosto mesmo
é de estar ali, treinando."

— Petrúcio

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Conta pra gente alguma história inusitada que o rapaz de São José do Brejo do Cruz soube tirar de letra.

PETRÚCIO: Eu, com esse meu jeitão matuto de ser, de quem saiu de dentro do mato, mas o mato nunca saiu de dentro de mim, já passei por cada uma. Por exemplo, em 2015, estávamos lá saindo da pista de treinamento e, ao invés de pegar o ônibus da seleção, eu e um colega pegamos o ônibus da delegação da Austrália por engano. Acabamos indo parar em outro hotel que ficava muito longe do nosso, só que eu e meu amigo não sabíamos falar inglês, então nos viramos do jeito que dava, com gestos, apontando para a bandeira na nossa camisa. Pense um perrengue! Depois de muita mímica, alguém finalmente entendeu nosso problema: usamos um tradutor na internet, conseguimos nos comunicar e voltamos sãos e salvos para o nosso hotel.

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Ouvimos falar que, para você, a parte mais desafiadora da corrida é justamente a largada, que é um pouco instável até que você equilibre a diferença de pesos entre os braços, confere? Você pode contar um pouco mais sobre isso? O que mais muda na sua corrida e treinamento?

PETRÚCIO: A largada e a fase de aceleração são, realmente, momentos delicados da minha corrida. A falta do meu antebraço gera um desequilíbrio nos trinta metros iniciais, aproximadamente, influenciando o comportamento da minha corrida como um todo. Para minimizarmos esses desequilíbrios e as compensações, fazemos trabalhos de estabilização e fortalecimento constantemente.

Falando nisso, sabemos que você já contou essa história algumas milhares de vezes, mas, como foi seu acidente?

PETRÚCIO: Eu tinha um ano e onze meses quando me acidentei em uma máquina de moer capim. Como consequência, perdi parte do meu braço esquerdo.

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Você acha que a cobertura de eventos esportivos convencionais é a mesma em relação a eventos esportivos envolvendo pessoas com deficiência?

PETRÚCIO: Olha, eu achei muito legal a visibilidade que foi dada aos atletas nas competições desse ano, por exemplo. Quanto à cobertura das competições que vou enfrentar logo mais, ainda não posso falar nada. Só torcer para que seja tão boa quanto.

"Meu maior sonho é conseguir disputar uma corrida com atletas convencionais. Quem sabe um dia, né?"

— Petrúcio

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Suas conquistas o levaram à condição de ser um paratleta com patrocinadores, algo raro no meio. Você já passou dificuldades na carreira? Vê perspectivas de essas oportunidades aumentarem para os paratletas brasileiros?

PETRÚCIO: Olha, ter o incentivo de grandes empresas e marcas é muito importante no progresso e no trabalho que a gente exerce. E, sim, tenho essa perspectiva de aumentar o engajamento de patrocínios para atletas com deficiência. De uma certa forma, os patrocínios ajudam na caminhada para buscar competições, resultados e, também, para quebrar essa barreira do preconceito que ainda existe no meio de empresas que não querem esse tipo de associação com suas marcas, sendo que eu sempre repito: não somos pessoas com deficiências, somos pessoas eficientes, atletas de alto rendimento buscando o nosso melhor todos os dias.

"Não somos pessoas com deficiências, somos pessoas eficientes, atletas de alto rendimento buscando o nosso melhor todos os dias."

— Petrúcio

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Sabemos que você inspira muita gente.
E quem inspira você?

PETRÚCIO: Ah, tenho vários ídolos no esporte, vários, mas minha maior inspiração é meu pai. Ele foi o cara que me ensinou a lutar pela vida, pelos objetivos, e isso é muito importante, né. Cresci admirando ele, a pessoa que ele é: trabalhador, sempre buscando o melhor para a nossa família, mesmo com as circunstâncias difíceis que a gente vivia, e sempre com sorriso no rosto.

E qual sua próxima meta, objetivo ou recorde?

PETRÚCIO: Minha meta é melhorar meus resultados nessas próximas competições, e meu maior sonho é conseguir disputar uma corrida com atletas convencionais. Quem sabe um dia, né?

Director: Vivi Bacco
Photographer: Gabriel Bianchini

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