Seleção Feminina

A História da Seleção
Brasileira Feminina de Futebol

Depois dos anos de proibição, segundo o decreto-lei 3.199 de 14 de abril de 1941 - que seguiu até 1979 - assinado pelo então presidente Getúlio Vargas, o futebol feminino começou a se estabelecer no país no início da década de 80.

O caminho foi longo até a modalidade ser oficialmente reconhecida, mas foi também no fim dessa década que a entidade máxima do futebol voltou sua atenção para o futebol de mulheres e passou a organizar um Mundial também para elas.

No Brasil, as areias de Copacabana, no Rio de Janeiro, foram o primeiro palco das peladas femininas. Campeonatos de futebol de areia começaram a surgir e o público começou a se interessar pela modalidade. E foi em 1981 que surgiu o Esporte Clube Radar, o primeiro time feminino do país, que teve seus primeiros chutes na praia para depois chegar aos gramados, no ano seguinte.

É claro que as jogadoras da época não recebiam salários - apesar do time contar com apoio de patrocinadores - mas elas resistiram e em meio a muitas vitórias (ganharam seis Taças Brasil consecutivas, seis cariocas e um Torneio Brasileiro de Clubes) as atletas do Esporte Clube Radar formaram a base da primeira seleção brasileira a disputar um mundial, em 1991.

Antes de oficializar o torneio, foi organizado um campeonato que serviu como teste. Em 1988, um torneio experimental - que serviria como modelo para o próximo Mundial - contou com a participação de 12 seleções e o Brasil - com as garotas do Radar - ficou em terceiro lugar, derrotando a equipe chinesa nos pênaltis.O título ficou com a equipe da Noruega que derrotou a Suécia na final diante de um público de 35 mil pessoas. Após o sucesso do torneio, criou-se, oficialmente, o mundial de futebol feminino.

A história das brasileiras nos Mundiais

A Seleção Brasileira de futebol feminino esteve presente nas oito edições realizadas em mundiais e, neste ano, fará sua 9ª participação na competição. Para conquistar essa vaga tão importante, as mulheres precisam garantir a classificação disputando a Copa América, um torneio classificatório entre os países sul-americanos. E, podemos afirmar que por aqui, o Brasil reina absoluto: são 8 títulos conquistados em 9 edições do torneio.

Nos mundiais, a primeira edição oficial aconteceu em 1991, na China. E a base da primeira equipe foi composta, em grande parte, por atletas que defendiam o Radar Esporte Clube - 16 das 18 convocadas eram do clube carioca. O Brasil não se classificou para a segunda fase, mas entrou para a história ao conquistar sua primeira vitória no torneio contra o Japão por 1x0, com a zagueira Elane - autora do tento - entrando para a história ao se tornar a primeira brasileira a marcar um gol em uma Copa do Mundo!

O primeiro resultado expressivo das mulheres aconteceu em 1999, no Mundial dos Estados Unidos. Ali, as brasileiras subiram ao pódio pela primeira vez ao vencer a Noruega - em um jogo disputadíssimo, decidido nos pênaltis - e conquistar a medalha de bronze.

Mas foi em 2007 que elas fizeram a melhor campanha da história e chegaram perto do tão sonhado título. Com uma geração pra lá de talentosa em campo, a seleção brasileira foi finalista da competição, mas foram superadas por 2x0. Naquela época, o futebol feminino no Brasil era pouco organizado e sem nenhum incentivo. Ao final da partida, com lágrimas nos olhos, elas reivindicaram publicamente: "Brasil, precisamos de apoio", dizia um cartaz que as atletas mostraram no momento da premiação.

"Brasil, precisamos de apoio"

dizia um cartaz que as atletas mostraram no momento da premiação.

De lá pra cá, mudanças aconteceram, mas a passos lentos e com investimentos menores do que o necessário. O legado daquela geração foi pouquíssimo aproveitado, mas já podemos celebrar algumas conquistas.

Mulheres como protagonistas do jogo!

Mesmo sem levar a taça, 2019 foi um marco para a modalidade! Com o anúncio da cobertura completa do mundial feminino em tevê aberta pela 1ª vez no Brasil, os jogos das mulheres bateram altos índices de audiência. Além disso, as jogadoras tiveram, pela primeira vez na história, seus uniformes próprios, na modelagem feminina, como elas sempre sonharam!

O primeiro modelo fez uma justa homenagem à história da seleção feminina no Brasil. Nas costas da gola da camisa, havia a inscrição: "Mulheres Guerreiras do Brasil", com o intuito de homenagear todas as jogadoras que já vestiram a camisa da seleção e construíram a história do futebol feminino por aqui. Uma conquista e tanto, já que no torneio experimental na China, em 1988, elas receberam o uniforme dos homens, no tamanho deles, para entrar em campo. Eram camisas, shorts e agasalhos gigantes, que mal serviam nas atletas.

Com o objetivo de ir em busca das próprias conquistas, um ano depois a camisa das mulheres passou por nova mudança. As cinco estrelas que ficavam em cima do escudo do time brasileiro - e que simbolizam o pentacampeonato mundial conquistado pelos homens - foram retiradas do uniforme feminino. "A gente vai conquistar nossa estrela", declarou a jogadora Andressinha na época do lançamento.

E ainda falando sobre conquistas, em setembro de 2020, as mulheres, finalmente, conquistaram a equiparação salarial em diárias de convocação e premiação. Ou seja: agora, as mulheres ganham o mesmo valor dado aos homens cada vez que se apresentam à seleção. Além disso, a premiação pelos campeonatos disputados será igual ou igualmente proporcional ao repasse concedido pelas entidades esportivas. Esse foi um passo importante na busca pela tão sonhada equidade de gênero.

O ano de 2023 promete ser ainda mais especial para as mulheres! O grande momento do futebol feminino se aproxima e a expectativa por dias e resultados melhores se renovam. As mulheres sabem que, com a bola no pé e com estilo único de jogar, é possível construir um futuro inclusivo, atraindo mais garotas para o jogo. Alguns costumam dizer que ser jogadora de futebol no Brasil é uma das tarefas mais difíceis que existem, mas não para elas que desejam apenas jogar para sempre!

Vem aí?. Na próxima semana, iremos falar do NIKE FC, uma comunidade que tem como um dos objetivos pensar no futuro do futebol de maneira mais inclusiva para os atletas, para a cultura e para o jogo.

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